Na quarta-feira (1°), o procurador-geral da República, Paulo Gonet, se manifestou sobre a situação de Jair Bolsonaro (PL), sugerindo que o ex-presidente permaneça em prisão domiciliar, mas sem a arma que foi apreendida com um de seus seguranças. Essa manifestação foi enviada ao ministro Alexandre de Moraes, do STF. Gonet já havia afirmado anteriormente que a apreensão da arma não indicava nenhuma falta disciplinar por parte de Bolsonaro, e destacou a importância de aguardar o término das investigações para decidir sobre a manutenção da prisão domiciliar.
O prazo para que a PGR se manifestasse foi determinado por Moraes, seguido de mais 48 horas para a defesa de Bolsonaro se pronunciar. Após esse período, o ministro deve decidir se prorroga ou não a prisão domiciliar do ex-presidente. Gonet também informou que a Polícia Federal concluiu que Estácio Leite da Silva Filho, o segurança que portava a pistola, deve ser indiciado, mas que não há evidências de que Bolsonaro tenha cometido crime em relação à posse da arma. Ele ressaltou que, embora Bolsonaro tenha registro válido da pistola, a condição penal do ex-presidente não permite a posse de armas.
Na mesma data, a Polícia Civil do Distrito Federal enviou um relatório a Moraes, afirmando que não encontrou indícios de crime por parte de Bolsonaro. O delegado responsável pelo caso explicou que Estácio tinha autorização para portar armas, mas estava com uma arma registrada em nome de outra pessoa, o que fere a legislação. O episódio aconteceu durante uma blitz da Polícia Militar, onde a pistola foi apreendida a cerca de 33 km da casa de Bolsonaro. O ex-presidente alegou que chamou Estácio para consertar a arma, pois notou uma falha e não queria ficar desarmado em casa, onde vive com três mulheres.
A prisão domiciliar de Bolsonaro, concedida em março por motivos de saúde, tinha um prazo que expirou na última quinta-feira (25). Embora Moraes estivesse considerando estender esse prazo por mais 90 dias, a questão da arma gerou cautela e pode resultar no retorno do ex-presidente a uma unidade prisional.