Nesta quarta-feira (1º), a Corte Suprema de Cassação da Itália, em Roma, analisa o segundo pedido do Brasil para extraditar a ex-deputada Carla Zambelli, do PL-SP. O processo está relacionado a uma condenação por perseguição armada a um homem em São Paulo, em 2022. A audiência, que começou pela manhã, vai avaliar um recurso da defesa contra a decisão da Corte de Apelação de Roma, que autorizou a extradição de Zambelli em abril. A expectativa é que a Corte de Cassação revele sua decisão ainda hoje.
Zambelli já havia sido condenada em agosto do ano passado pelo STF a cinco anos e três meses de prisão em regime semiaberto, por porte ilegal de arma e constrangimento ilegal contra o jornalista Luan Araújo. Naquele momento, ela estava na Itália, onde se refugiou para escapar de outra condenação relacionada à invasão do sistema do CNJ e à emissão de um mandado falso de prisão contra o ministro Alexandre de Moraes, do STF. Em um julgamento recente, a mesma Corte de Cassação negou a primeira extradição, afirmando que o processo no Brasil não foi conduzido de forma imparcial, citando a dualidade de funções de Moraes como vítima e julgador.
Assim que a Corte decidir sobre a extradição, a palavra final caberá ao governo italiano, que terá 45 dias para se manifestar. Se Zambelli for extraditada, ela deverá cumprir pena na Penitenciária Feminina do Distrito Federal, a Colmeia. Durante o processo, a defesa argumentou que as condições das prisões brasileiras não atendem às necessidades de saúde da ex-deputada, mas o tribunal considerou que as provas apresentadas eram insuficientes. Para a Corte, as ações de Zambelli não têm conotação política, portanto a extradição deve seguir. A ex-deputada, que teve 946 mil votos nas últimas eleições, renunciou ao mandato em dezembro após uma série de reviravoltas políticas.