O Ministério Público Federal entrou com uma ação contra a União e o estado da Paraíba, reivindicando justiça por violações de direitos humanos contra trabalhadores rurais durante a ditadura militar, que ocorreu entre 1964 e 1981. As acusações incluem tortura, assassinatos e desaparecimentos forçados de integrantes das Ligas Camponesas, um movimento que lutava por melhores condições de trabalho e reforma agrária. A ação civil pública foi protocolada na terça-feira (26) e menciona que muitos desses perseguidos políticos foram levados a usinas de açúcar, onde teriam sido mortos e seus corpos queimados para eliminar provas.
A Procuradoria-Geral do Estado da Paraíba ainda não recebeu a intimação e, por isso, não se manifestou. Já a Advocacia-Geral da União confirmou que foi intimada e está buscando informações junto aos órgãos competentes. As Ligas Camponesas, que surgiram na década de 1940 e ganharam força nos anos 1950, reuniram cerca de 40 mil pessoas na Paraíba, mas enfrentaram forte repressão de agentes públicos e grupos armados associados a latifundiários.
A ação destaca casos emblemáticos como os de João Alfredo Dias, conhecido como Nego Fuba, e Pedro Inácio de Araújo, o Pedro Fazendeiro, considerados os primeiros desaparecidos políticos da ditadura. Relatórios da Comissão da Verdade revelam que Pedro desapareceu após se apresentar ao Exército e Nego Fuba foi preso e nunca mais visto. A Procuradoria ainda afirma que a violência contra trabalhadores rurais persistiu após a redemocratização em 1985.
Para acompanhar o andamento da ação e saber mais sobre as sessões, é possível acessar o site do Ministério Público Federal. A expectativa é que a tramitação da ação avance, com possíveis audiências públicas e análises de documentos relacionados ao caso.