A recente decisão do ministro do STF, André Mendonça, de transferir Daniel Vorcaro, proprietário do Banco Master, para uma sala especial na superintendência da Polícia Federal (PF), gerou desconforto dentro da corporação. A medida foi anunciada sem que a cúpula da PF tivesse sido previamente informada, o que aumentou a insatisfação com o relator. Vorcaro estava cumprindo pena em uma cela comum, após a PF ter rejeitado um acordo de delação premiada. A cela onde ele estava é considerada um local temporário, onde os presos ficam por, no máximo, dois dias.
A PF já havia solicitado a transferência de Vorcaro para o 19º Batalhão da Polícia Militar, dentro do Complexo Penitenciário da Papuda, conhecido como Papudinha, devido à dificuldade em formalizar a delação. Nos últimos dias, esse pedido foi reforçado, mas a decisão de Mendonça não considerou essas solicitações. De acordo com informações de policiais, Vorcaro não estaria seguindo as regras do local, que limitam o tempo de conversa com advogados a apenas duas horas, enquanto ele costuma ficar com os defensores das 9h às 18h.
A relação entre a PF e o ministro não é nova. Policiais têm expressado descontentamento com o que consideram decisões inadequadas de Mendonça, que estaria buscando assumir mais controle sobre o inquérito. Em fevereiro, o relator chegou a proibir delegados de compartilharem informações com seus superiores, o que provocou ainda mais descontentamento na corporação.
Para quem deseja acompanhar o desenrolar desse caso, as sessões do STF podem ser conferidas pelo site oficial do órgão, que também disponibiliza documentos e canais de denúncia. A tramitação do caso de Vorcaro continua e novas decisões podem surgir em breve, dependendo da agenda do Supremo e dos desdobramentos na PF.