Na noite de quarta-feira (29), a ex-senadora Kátia Abreu, do PT, fez uma postagem controversa nas redes sociais, sugerindo que o presidente do Senado, Davi Alcolumbre, teria traído o presidente Lula devido à sua origem judaica. Embora não tenha mencionado Alcolumbre diretamente, comparou-o a Judas Iscariotes, afirmando que “cada época tem seu Judas”. Após a reação negativa, Kátia editou o texto, removendo a referência aos judeus, mas, na manhã seguinte, já não havia nenhuma versão da publicação em sua conta.
Em resposta à reportagem, Kátia negou ter feito uma declaração antissemita e se desculpou, afirmando que se referia a traidores de forma geral, e não a grupos específicos. Ela explicou que sua intenção não era ofender e mencionou que o “nosso Messias também foi traído”. A postagem surgiu em um momento em que Kátia comentava a rejeição do Senado à indicação de Jorge Messias, feita por Lula para uma vaga no Supremo Tribunal Federal.
Davi Alcolumbre, que é judeu sefardita, tem raízes familiares no Marrocos e promoveu a lei do Dia da Celebração da Amizade Brasil-Israel durante sua gestão. Especialistas e ativistas contra o antissemitismo criticaram a declaração de Kátia. Matheus Alexandre, do StandWithUs Brasil, comentou que a associação de judeus a Judas remonta à Idade Média e reflete uma linguagem que desumaniza os judeus. Ele destacou que a crítica política não deve cruzar a linha do preconceito, mesmo em um contexto de boas relações entre cristãos e judeus.
Para acompanhar os desdobramentos dessa situação e outras questões políticas, os cidadãos podem acessar os canais oficiais do Senado e acompanhar as redes sociais dos representantes. Além disso, é possível participar de audiências públicas e consultar documentos disponíveis na internet.