A Polícia Federal está investigando um caso que envolve cinco malas que chegaram ao Brasil em um voo particular em abril de 2024, onde estavam o presidente da Câmara, Hugo Motta, e o senador Ciro Nogueira. As bagagens não passaram pela inspeção de raio-X ao desembarcar em São Paulo, depois que um auditor fiscal autorizou a liberação sem a verificação. O episódio ocorreu após uma viagem para a ilha de São Martinho, conhecida por ser um paraíso fiscal e atrair apostadores. Além de Motta e Ciro, também estavam a bordo os deputados Dr. Luizinho e Isnaldo Bulhões, ambos líderes de seus partidos na Câmara.
O caso foi encaminhado ao Supremo Tribunal Federal (STF) pela Justiça Federal de São Paulo e está sob sigilo. A petição foi protocolada em 13 de abril e o ministro Alexandre de Moraes é o relator. Em um despacho recente, Moraes pediu que a Procuradoria-Geral da República se manifestasse sobre o processo em até cinco dias. Motta confirmou sua presença no voo, mas afirmou que seguiu todos os protocolos de aduana. A assessoria de Ciro Nogueira, Dr. Luizinho e Isnaldo Bulhões não se pronunciou até o fechamento da reportagem.
A Receita Federal, questionada sobre a apuração da conduta do auditor investigado, afirmou que as investigações estão em sigilo e que procedimentos administrativos podem ser instaurados para investigar possíveis desvios. O inquérito da Polícia Federal investiga crimes como contrabando e prevaricação, e envolve o auditor fiscal Marco Antônio Canella, que permitiu a passagem das malas sem a devida inspeção. O caso foi remetido ao Ministério Público Federal, considerando que envolve autoridades com foro privilegiado. A investigação segue em andamento e as próximas etapas ainda não foram definidas.