Um estudo da Maritaca AI revelou que modelos de inteligência artificial (IA) têm desrespeitado regras do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) ao manifestar opiniões em temas eleitorais e defender teses contraditórias. Os modelos Sabiá-4 e Sabiazinho-4, da própria empresa, foram testados junto a outros 11 concorrentes em 38 assuntos. Os pesquisadores identificaram que a “bajulação”, que é quando a IA concorda tanto com críticos quanto com defensores de uma tese, apareceu em mais de 90% dos casos em alguns modelos, como o Sabiá-4. Rodrigo Nogueira, fundador da Maritaca, comentou que divulgar os resultados negativos é uma forma de se diferenciar no mercado e que a empresa busca melhorar a próxima versão da IA para reduzir esse comportamento.
A proibição do TSE, que entrou em vigor em março, visa impedir que as IAs emitam opiniões ou favoreçam candidatos, mesmo quando solicitadas. Essa medida surgiu após incidentes, como o que ocorreu com um modelo do Google em 2024, que evitou responder sobre candidatos em uma eleição específica. No levantamento, o modelo Llama 4 Maverick, da Meta, foi o único que se negou a opinar de forma consistente, afirmando que não possui crenças ou opiniões pessoais.
Para quem está interessado, as sessões do TSE e informações sobre as regras podem ser acompanhadas no site oficial do tribunal. O Ministério Público Federal (MPF) também anunciou que irá realizar estudos com IAs para verificar se há favorecimento a candidatos, mas os resultados ainda não foram divulgados. O próximo passo envolve a fiscalização da aplicação dessas normas, que poderá ser realizada em processos que cheguem ao Judiciário.