Na década de 1970, o governo de Goiás foi alvo de um dossiê elaborado pela ditadura militar, que investigou a contratação de parentes pelo então governador Leonino Caiado. O documento, produzido pelo Serviço Nacional de Informações (SNI), apontou que a presença de familiares em cargos públicos estava gerando um clima negativo para o regime, que se referiu ao fenômeno como “familiocracia”. O relatório de 1974 indicou que 16 parentes do governador ocupavam posições de destaque na administração, mesmo sem experiência política anterior.
Além disso, o dossiê revelou que a família Caiado estava ligada a práticas de corrupção e compra de votos, o que, segundo os militares, contribuiu para a manutenção do poder político da família. O texto menciona que a presença significativa de membros da família em cargos relevantes era justificada apenas por laços de sangue e que muitos deles apresentavam irregularidades em suas funções. A crítica também se estendeu à cobertura da imprensa da época, que denunciou a “familiocracia” no governo estadual.
A família Caiado, com raízes que remontam ao século 18, tem uma longa tradição política em Goiás, tendo produzido governadores, senadores e deputados. Contudo, sua influência local diminuiu após a Revolução de 1930. Atualmente, o legado da família ainda é presente na política goiana, com Ronaldo Caiado, um dos seus membros, ocupando o cargo de governador. Apesar de tentativas, a Folha não conseguiu contato com Leonino Caiado, que governou entre 1971 e 1975 e hoje tem 92 anos.
Para quem se interessa por essa história e quer acompanhar a política em Goiás, é possível acessar documentos e notícias através de canais oficiais do governo e da Assembleia Legislativa.