Recentemente, o “Democracy Report 2026” do V-Dem gerou debates acalorados, tanto fora quanto dentro da comunidade acadêmica. Quatro dos cinco pesquisadores principais, incluindo Michael Coppedge, o criador do projeto, manifestaram que não concordam com algumas análises sobre o suposto declínio global da democracia, considerando-as exageradas e simplistas. A crítica se intensifica com o rebaixamento de países como Portugal, Canadá e agora o Reino Unido, que foram considerados democracias eleitorais em vez de liberais.
Esses pesquisadores analisaram os índices de democracia liberal (LDI) de 175 dos 179 países, e, segundo eles, a maioria desses índices ficou dentro da margem de erro. De 2024 a 2025, a média global do Índice de Democracia Eleitoral (EDI) caiu levemente, de 0,485 para 0,483. A análise ponderada pela população também gerou distorções na leitura das tendências democráticas, evidenciando que a situação da democracia mundial não muda significativamente apenas por causa de retrocessos em países com grande população, como a Índia.
Nos Estados Unidos, a queda nos índices de democracia foi mais acentuada, com o EDI passando de 0,84 para 0,74 e o LDI de 0,75 para 0,57, o que representa a maior queda anual já registrada no país. Essa deterioração está ligada à diminuição da liberdade de imprensa e à fragilização do Estado de Direito. Apesar disso, indicadores de integridade eleitoral e liberdade de sufrágio permaneceram estáveis, o que explica a queda menos abrupta no EDI.
Para quem quer acompanhar essas discussões, é possível acessar as publicações e dados do V-Dem pelo site oficial da instituição. Além disso, quem se interessa por audiências e debates sobre democracia pode consultar a agenda de eventos em câmaras municipais e assembleias legislativas.