O amistoso entre Espanha e Egito, realizado na terça-feira (31) no RCDE Stadium, em Barcelona, terminou em 0 a 0. Embora o jogo não tenha sido marcado por grandes jogadas, o que chamou a atenção foram os gritos racistas vindos das arquibancadas, direcionados a muçulmanos. Parte dos 35 mil torcedores vaiou o hino do Egito e começou a entoar cânticos ofensivos, como “quem não pula é muçulmano”, durante o primeiro tempo. O sistema de som do estádio fez alertas sobre a proibição de comportamentos violentos e racistas, mas a situação gerou muitas críticas.
O jovem jogador da seleção espanhola, Lamine Yamal, que é muçulmano, foi o único atleta que não se apresentou aos torcedores após o jogo. Ele classificou os gritos como “intoleráveis” em suas redes sociais, ressaltando que, mesmo que fossem direcionados à equipe rival, ainda assim eram desrespeitosos. O primeiro-ministro da Espanha, Pedro Sánchez, também se manifestou, chamando os cânticos de “inaceitáveis” e pedindo que situações assim não se repitam. O ministro da Justiça, Félix Bolaños, destacou que esses insultos são vergonhosos para a sociedade.
Esses episódios de racismo não são novos no futebol espanhol. Jogadores como Vinicius Junior, do Real Madrid, têm sido alvos frequentes de ofensas racistas. A Federação Egípcia de Futebol se posicionou contra os atos, afirmando que são inaceitáveis e que um esforço conjunto é necessário para erradicá-los. A polícia regional catalã já iniciou investigações sobre os cânticos registrados.
Com a Espanha se preparando para sediar a Copa do Mundo de 2030, a preocupação em relação à imagem do país no cenário internacional é intensa. O próximo compromisso da seleção espanhola será em um amistoso contra outro adversário, mas a data e o local ainda não foram confirmados.