Os gastos com o sistema de Justiça no Brasil aumentaram 15,8% entre 2023 e 2024, totalizando R$ 181,5 bilhões, o que representa 1,55% do PIB. Esse valor corresponde a 3,38% dos gastos totais da União e dos governos estaduais e municipais. Os dados são do relatório de despesas do governo geral, divulgado pelo Tesouro Nacional em dezembro de 2025, e são baseados na classificação da OCDE sobre gastos públicos.
As despesas incluem os pagamentos feitos a tribunais estaduais, superiores, Justiça Eleitoral, Militar e Trabalho, além de órgãos como o CNJ e o STF. O relatório mostra que os gastos com pessoal foram a principal destinação, representando 77,9% do total, ou seja, R$ 144,3 bilhões. Em comparação com outros países, o Brasil liderou os gastos com Justiça em 2021, com 1,6% do PIB, e ficou em segundo lugar em 2022 e 2023, atrás de El Salvador. Os dados sobre os gastos estaduais chamam a atenção, já que os estados gastaram 2,5 vezes mais que a União, totalizando R$ 126,5 bilhões nas unidades federativas.
Com a crescente preocupação sobre os gastos, especialmente em relação a benefícios e penduricalhos, o Supremo Tribunal Federal decidiu, em fevereiro, limitar esses pagamentos. No entanto, uma parte ainda poderá ultrapassar o teto constitucional de R$ 46 mil. Além disso, uma pesquisa da Plataforma Justa revelou que 67% dos orçamentos estaduais foram direcionados para folhas de pagamento do Judiciário e órgãos relacionados.
Para quem deseja acompanhar as discussões sobre os gastos do Judiciário, é possível acessar as sessões pela internet e consultar documentos oficiais nas páginas da Assembleia Legislativa e do Tribunal de Justiça de cada estado. A tramitação das propostas e a agenda de audiências públicas estão disponíveis nos sites das respectivas instituições, onde também é possível fazer denúncias e sugestões.