Recentemente, o julgamento do alpinista austríaco Thomas P. reacendeu discussões sobre a responsabilidade nas montanhas após sua condenação pela morte da namorada, Kerstin G. O tribunal o considerou culpado por homicídio culposo, devido à sua negligência ao deixá-la exposta a condições extremas a 3.798 metros de altitude, no Grossglockner, sem equipamentos de proteção. Thomas foi condenado a cinco meses de prisão e uma multa de € 9.400 (cerca de R$ 57,6 mil), mas ainda aguarda recurso em liberdade. Essa decisão, segundo especialistas, pode mudar a forma como a responsabilidade é vista no montanhismo.
O caso gerou impacto também no Brasil, onde grupos de trilhas e escalada recordaram incidentes semelhantes, como o de Roberto Farias Thomaz, que se perdeu no Pico Paraná e foi resgatado após quatro dias. O montanhista e guia Pedro Hauck comentou que a responsabilidade de quem leva pessoas para uma trilha é clara: “qualquer acidente sempre vai ter um responsável”. Ele acredita que a decisão austríaca traz um alívio para os gestores das áreas de montanha, que não podem ser responsabilizados por ações imprudentes dos participantes.
Ricardo Ishigami, instrutor de escalada, ressaltou que a falta de conhecimento técnico entre os iniciantes é uma preocupação crescente. Ele alertou que muitos se aventuram em montanhas apenas por influência das redes sociais, sem entender os riscos envolvidos. A responsabilidade deve ser sempre discutida, já que cada acidente exige uma análise cuidadosa das circunstâncias. Para quem deseja praticar escalada, é fundamental buscar orientação profissional e sempre conhecer os limites pessoais antes de encarar novos desafios.