A denúncia de racismo feita pelo jogador brasileiro Vinicius Junior contra o argentino Gianluca Prestianni, durante o jogo entre Benfica e Real Madrid em Lisboa, pode levar a mudanças nas leis de Portugal. O incidente, que aconteceu na última terça-feira (17), gerou repercussão e mobilizou mais de 80 organizações da sociedade civil que já tinham um projeto para criminalizar diversas formas de discriminação no país, incluindo racismo, homofobia e xenofobia. Com a visibilidade do caso, a coalizão conseguiu reunir 8.000 assinaturas a mais, superando a meta de 20 mil, e o projeto agora deve ser encaminhado à Assembleia da República.
A advogada Anizabela Amaral, coordenadora do GAC (Grupo de Ação Conjunta contra o Racismo e a Xenofobia em Portugal), ressaltou que a proposta busca facilitar a punição de ofensas raciais, já que a legislação atual exige que a discriminação ocorra “publicamente” e em “meios de divulgação” para ser penalizada. A nova proposta também sugere que atos discriminatórios sejam considerados crimes, com penas de prisão, ao invés de apenas multas, como ocorre atualmente. Além disso, a discriminação poderia ser um agravante em casos de injúria, difamação e ameaça, algo que não é contemplado na legislação atual.
Enquanto isso, a Uefa decidiu suspender Prestianni provisoriamente por uma partida, após considerar que houve indícios de racismo, embora a investigação ainda não tenha sido concluída. O Benfica, clube do jogador, defende sua posição. No jogo, o Real Madrid venceu o Benfica por 1 a 0, com Vinicius Junior marcando o gol decisivo. A próxima partida ocorrerá na quarta-feira (25), às 17h, e a situação continua a ser monitorada de perto, tanto pela mídia quanto por entidades de justiça e direitos humanos.