No último domingo (15), o historiador Luiz Antonio Simas participou de uma entrevista na Folha e comentou sobre a essência do Carnaval de rua, destacando sua espontaneidade e transgressão. Segundo ele, a festa sobreviveu a tentativas de controle, pois proporciona uma reconstrução coletiva do sentido da vida. Durante o Carnaval, a alegria de estar junto de pessoas, mesmo que por pouco tempo, é algo único e difícil de ser replicado.
Em São Paulo, essa discussão é ainda mais pertinente devido à ocupação urbana voltada para os carros e à exclusão promovida por políticas elitistas. O bloco “Quem Tem Boca Vaia Roma” (QTB), que desfila de forma anárquica em poucas quadras do Siciliano, na Vila Romana, é um exemplo de resistência. Fundado por músicos que viviam juntos, o bloco optou por manter a essência informal do Carnaval, em contraste com os trios elétricos e desfiles grandiosos que dominam a festa na cidade. O QTB não se apresentou nesta segunda-feira, mas sua história é marcada pela conexão forte com o bairro.
Gustavo Galo, um dos fundadores e hoje morador da Mantiqueira, comentou sobre como o bloco mudou a percepção dos vizinhos em relação aos músicos, que antes eram vistos como bagunceiros. Com o desfile, a comunidade se uniu, e o bloco se tornou um patrimônio coletivo, algo que as futuras gerações vão querer preservar. A padaria Natalina, que é um dos pontos centrais do desfile, exemplifica essa troca e apoio mútuo entre os moradores.
Para quem deseja acompanhar os próximos desfiles e eventos do Carnaval, as informações sobre ingressos e datas estão disponíveis nos sites oficiais e nas redes sociais dos blocos. Assim, a utopia de uma cidade mais unida e menos hierárquica continua viva, mostrando que o Carnaval é mais do que uma festa; é uma forma de viver coletivamente.