Um estudo divulgado na última quinta-feira (22) pelo Fifpro revelou que jogadoras de futebol profissional que sofreram três ou mais concussões podem ter sua capacidade de atenção reduzida. Essa pesquisa faz parte do “Drake Football Study”, que já está em andamento há dez anos e avaliou a função neurocognitiva de 68 atletas. Segundo os pesquisadores, as jogadoras que relataram múltiplas concussões apresentaram um desempenho “significativamente pior” em tarefas que exigem atenção, comparadas àquelas que tiveram menos ou nenhuma concussão anterior. No futebol, essas habilidades são essenciais para acompanhar a bola e os movimentos das adversárias, além de garantir uma reação rápida em campo.
A pesquisa apontou que cerca de 43% das jogadoras entrevistadas já sofreram pelo menos uma concussão, sendo que esse número é ainda maior entre as defensoras, com 50% delas relatando essa experiência. Vincent Gouttebarge, diretor médico do Fifpro, comentou que, de maneira geral, o estudo indica que as jogadoras não apresentam problemas cognitivos amplos, mas que concussões repetidas podem impactar significativamente a atenção. Ele também ressaltou a necessidade de mais pesquisas para verificar se novas recomendações de saúde precisam ser implementadas.
Na prática, as jogadoras mostraram um desempenho normal em 11 dos 12 domínios cognitivos analisados, destacando-se na velocidade motora, que mede quão rápido o cérebro envia sinais ao corpo. Isso foi atribuído às exigências do futebol de alto nível. Os resultados são semelhantes aos de um estudo realizado com jogadores masculinos, que também encontrou uma relação entre concussões repetidas e a redução da atenção. Gouttebarge enfatizou que o futebol feminino tem sido historicamente sub-representado em pesquisas sobre concussões, o que torna esse estudo ainda mais relevante.
Por fim, ele reforçou a importância de protocolos rigorosos para o manejo de concussões e o retorno ao jogo, especialmente em casos de lesões repetidas. O “Drake Football Study” foi iniciado em 2019 e acompanha a saúde física e mental de 170 jogadores de futebol ao redor do mundo, tanto homens quanto mulheres, durante e após suas carreiras, contribuindo para um entendimento mais profundo sobre a saúde dos atletas.