Recentemente, o Brasil teve um momento marcante no cinema com o filme “Ainda Estou Aqui”, de Walter Salles, que levou o Oscar de melhor filme internacional em 2022, um feito inédito para o país. Esse ano, os holofotes estão voltados para “O Agente Secreto”, de Kleber Mendonça Filho, que foi eleito melhor filme estrangeiro no Globo de Ouro, com Wagner Moura recebendo o prêmio de melhor ator em filme dramático. Ambos os filmes têm como pano de fundo o período da ditadura militar brasileira (1964-1985), um tema que tem atraído a atenção de críticos e jurados de premiações.
Entretanto, quando pensamos em filmes brasileiros que exploram o futebol, a famosa “paixão nacional”, a realidade é bem diferente. Até agora, nenhum filme sobre o esporte conseguiu alcançar prêmios significativos em grandes festivais internacionais. O documentário “Garrincha, Alegria do Povo”, lançado em 1962, se destacou ao ser exibido no Festival de Berlim e é considerado um marco do Cinema Novo. O crítico Inácio Araujo chegou a afirmar que é um dos melhores documentários sobre futebol já feitos no Brasil. Apesar de outras produções como “Asa Branca” (1981) e “Boleiros” (1998) também terem sua relevância, nenhuma delas conseguiu conquistar os holofotes das premiações de prestígio.
Diante dessa realidade, fica a pergunta: será que algum dia um filme sobre futebol conseguirá o reconhecimento que merece? É uma tarefa difícil, especialmente considerando que, em nível mundial, poucos filmes sobre esportes alcançam o status de grandes obras premiadas. O desafio está lançado e, enquanto isso, o futebol permanece como um elemento central na cultura brasileira, aguardando uma narrativa cinematográfica que o faça brilhar nas telas e nas premiações.