O cenário do futebol europeu vive um momento complicado em meio a um crescimento acelerado das franquias esportivas nos Estados Unidos. Segundo investidores, a dificuldade de controlar os custos e a constante ameaça de rebaixamento têm afastado o interesse em clubes europeus, mesmo com várias aquisições nos EUA que elevaram o valor dos times. Recentemente, o grupo de private equity Sixth Street e o financista Dean Metropoulos adquiriram uma participação de 8% no New England Patriots, avaliando o time da NFL em mais de US$ 9 bilhões. Em outra transação, Mark Walter, CEO da Guggenheim Partners, comprou a participação majoritária dos Los Angeles Lakers, avaliados em US$ 10 bilhões.
Os números falam por si: a média de avaliação das equipes da NBA subiu para 14,1 vezes a receita, enquanto os clubes de futebol masculino na Europa estagnaram em 4,2 vezes. A atividade de fusões e aquisições no futebol caiu drasticamente desde 2022, quando o Atlético de Madrid teve sua participação majoritária comprada pela Apollo Global Management por valores que podem chegar a € 2,5 bilhões. O cenário financeiro no futebol europeu é desafiador, com mais da metade dos times na primeira divisão apresentando prejuízos em 2024.
Enquanto isso, as ligas americanas conseguem aumentar significativamente suas receitas de mídia. O último contrato da NBA, por exemplo, resultou em um aumento de receita que saltou de US$ 2,6 bilhões para US$ 6,9 bilhões anuais. Por outro lado, os direitos de mídia das principais ligas de futebol na Europa estão em declínio ou estagnação, com a Premier League, mesmo sendo a mais valiosa, apresentando um crescimento de apenas 4% nos últimos anos. Esse contraste entre os modelos de negócios e a resistência dos torcedores europeus a ligas fechadas, como a proposta Superliga de 2021, reforçam a complexidade do mercado atual.