Em 1951, a enfermeira neozelandesa Louise Sutherland decidiu embarcar em uma aventura de bicicleta e partiu de Londres em direção à Cornualha, uma jornada de 450 km. No entanto, o vento contrário a impediu de ir muito longe, fazendo-a mudar de rumo e seguir para Dover, onde atravessou o Canal da Mancha. A partir de Calais, na França, ela continuou sua viagem por vários países da Europa, incluindo Bélgica, Alemanha, Suíça e Itália, até chegar à Grécia e, depois, aos países do Oriente, como Israel e Índia. Durante essa jornada, Louise se hospedou em alojamentos, casas de conhecidos e instituições de caridade, sempre se voluntariando em troca de abrigo.
Louise também ficou famosa no Brasil por sua viagem pela Transamazônica em 1978, onde enfrentou condições desafiadoras, como lamaçais e acolhimentos em casas simples. Sua bicicleta, agora equipada com marchas, não a impediu de registrar em seu livro “Transamazônica – A Viagem Impossível” as diferenças entre a realidade que vivia e as expectativas das pessoas ao seu redor. Em um episódio marcante, ela descreveu a generosidade dos moradores do Acre, questionando a verdadeira definição de “civilizado”.
Após essas experiências, Louise voltou ao Brasil alguns anos depois e, com o dinheiro de seus livros e doações, fundou uma clínica móvel em Humaitá (AM) para atender a população vulnerável. Sua história, repleta de desafios e superações, ressoa especialmente em um contexto em que muitas mulheres ainda enfrentam barreiras para viajar sozinhas. As reflexões de Louise sobre a viagem e a acolhida que recebeu são um convite para relembrar e valorizar histórias inspiradoras, mesmo em um cenário que pode parecer desanimador.