Na última segunda-feira, 8, a ministra do STF, Cármen Lúcia, destacou durante um evento que o Judiciário brasileiro ainda apresenta características conservadoras, machistas e sexistas. Ela fez esse comentário ao receber uma homenagem no Prêmio Todas 2, promovido pela Folha e pela consultoria Alandar. Cármen Lúcia, que é a única mulher atualmente no Supremo, lembrou que ao longo da história do Brasil republicano, apenas três mulheres ocuparam esse cargo. Além dela, Ellen Gracie e Rosa Weber também foram ministras, mas já estão aposentadas.
Durante sua fala, a ministra ressaltou a importância da inclusão feminina no Judiciário e as injustiças enfrentadas por mulheres no Brasil, citando a alta taxa de feminicídios. Segundo ela, “as injustiças contra mulheres atingiram patamares de desumanidade”. Cármen Lúcia também mencionou que, em 2023, quase 700 crianças ficaram órfãs devido a crimes violentos, o que evidencia a urgência de ações sociais para combater a violência.
Ela abordou ainda a sub-representação feminina no Congresso Nacional, onde as mulheres representam apenas 52% do eleitorado, mas ocupam poucas cadeiras. A ministra fez uma comparação com o passado, lembrando que as cotas foram criadas para minorias nos anos 1960, mas ainda há uma grande disparidade na representação das mulheres. Cármen Lúcia também destacou a falta de mulheres na área de tecnologia, mencionando que em uma recente auditoria das urnas eletrônicas, apenas 13 das quase 140 propostas apresentadas foram de mulheres.
Para quem deseja acompanhar as discussões sobre esses temas, é possível acompanhar as sessões do STF pelo site oficial e ficar por dentro das audiências públicas e outras tramitações relacionadas à inclusão e direitos das mulheres.