O julgamento do processo de extradição da deputada Carla Zambelli (PL-SP) foi adiado para o dia 18 de dezembro pela Corte de Apelação de Roma. A nova data foi definida durante uma audiência realizada na última quinta-feira (4). O tribunal vai analisar um pedido da defesa para incluir cerca de 70 novos documentos que, segundo eles, seriam favoráveis à deputada. Entre os itens estão textos que discutem a natureza política das acusações contra Zambelli e outros nomes, além de um parecer do deputado Diego Garcia (Republicanos-PR), que afirma que ela é alvo de perseguição política.
Os advogados de Zambelli argumentam que a inclusão desses documentos é crucial para a defesa. O advogado italiano Pieremelio Sammarco, que representa a deputada, destacou que esses papéis demonstram a necessidade de negar a extradição. Por outro lado, o representante da Advocacia-Geral da União (AGU), Alessandro Gentiloni, se opôs a esse pedido, afirmando que os documentos não atendem às normas necessárias.
Zambelli, que está presa desde o fim de julho no complexo penitenciário de Rebibbia, participou da audiência de forma presencial. O Ministério Público italiano já se manifestou a favor da extradição, argumentando que todos os requisitos legais estão presentes, já que Zambelli fugiu do Brasil para escapar de uma pena de dez anos de prisão por crimes relacionados ao sistema do CNJ e porte ilegal de arma.
Após a decisão da Corte de Apelação, as partes ainda poderão recorrer à Corte de Cassação, que é a última instância do Judiciário italiano. Depois disso, o caso será encaminhado ao governo italiano, que terá um prazo de 45 dias para se manifestar sobre a extradição. O embaixador brasileiro na Itália, Renato Mosca, mencionou que a decisão final pode ocorrer em março de 2026, mas o processo deverá se encerrar em até um ano a partir da prisão, considerando todos os recursos legais.